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Lideranças


Como escrevi num texto anterior, é impossível que alguém consiga lidar com 30 mil eleitores, um por um, com reivindicações oriundas desse tanto de gente. Daí a importância das lideranças.

Pois é, da mesma forma que um candidato não consegue expor seu plano de trabalho para milhares de pessoas, também não conseguirá atende-las, uma a uma, depois de eleito. Por isso, as lideranças possuem papel fundamental na política. São pessoas que se destacam por possuírem mais disponibilidade para ouvir seus pares, seus amigos, seus vizinhos, seus colegas de profissão. É alguém que se sobressai por possuir mais facilidade para buscar solução para os problemas de um determinado grupo de pessoas.

As lideranças conhecem os problemas daquela comunidade e conhecem os caminhos para solucioná-los. E ninguém melhor que o líder para cuidar daqueles casos que possuem particularidades. Ele conhece cada eleitor, conhece o contexto daquela comunidade, daquela profissão, daquilo que une aquele grupo. Ele sabe quando pode cuidar das reinvindicações de modo generalizado e quando, quem e porque precisa de um atendimento diferenciado.

No meu trabalho, temos uma liderança sindical. Alguém que é nosso elo com o sindicato. No meu prédio, nosso síndico é uma liderança na vizinhança e nos mantém informados sobre o andamento de nossas reivindicações junto à Prefeitura, sobre as ações da Polícia Militar em nosso bairro e tudo que diz respeito à nossa região.

Precisamos aprender que unidos somos mais. Ainda que sozinho cada indivíduo tenha seu valor, quando aliado a quem está num mesmo contexto sua força mais que dobra. E falando sobre eleições, maior a importância de um líder. O político tem mais compromisso com uma liderança, porque ele representa a vontade de muitos. Um eleitor procurar um político e fazer uma reivindicação para sua rua é uma coisa. Uma liderança, um representante de dezenas ou centenas de pessoas, é outra coisa. Porque se apenas uma pessoa pede, pode ser que o resto dos moradores queira priorizar outra coisa. Mas, quando se trata de liderança, significa um consenso entre o grupo. Por isso, a importância de associações de bairro, de representantes sindicais, etc. E escolha de representante implica em abrir mão de algumas coisas, em função do bem comum. É exercício democrático.

Mas, como exercer o poder democrático (poder do povo pelo povo), quando nunca enxergamos além de nosso umbigo? Quando torcemos para tudo desmoronar, apenas para provarmos que o nosso candidato faria melhor que aquele que foi eleito?

Democracia é o exercício do poder pelo povo. E exercício de poder popular é todos nos unirmos em prol de um bem comum. E bem comum é aquilo que a maioria decidiu como tal. Assim, hoje eu fui vencida, a maioria da vizinhança, na reunião da associação do bairro, decidiu pela obra X e não pela obra Y, que eu defendia. Ok! Tenho por obrigação apoiar esta decisão. Amanhã será o inverso, outros vencidos me ajudarão na obra que agora consegui apresentar como prioridade. É assim; qualquer outra coisa que não seja apoio à decisão da maioria é sabotagem. E sabotagem é indigno, é anti-democrático! É ditatorial!

Essa noção de democracia é fundamental para compreendermos a importância da necessidade do estabelecimento de confiança no representante eleito/escolhido.

E com tudo isso em mente, assuma-se enquanto liderança! Você é a voz do cidadão junto ao candidato escolhido e vice-versa. Ou apoie o seu líder! Sem mobilização não há força! Uma andorinha só faz verão? A música diz que não! E a realidade comprova isso.

E ao conversar com as pessoas, buscando apoio, sejam lideranças ou não, reforce sempre a ideia de que não votar, votar em branco ou anular o voto e disseminar este tipo de atitude pode deixar a comunidade sem representante sensível aos problemas daquele grupo. Agindo assim as pessoas não acabam com os problemas da má política, nem ficam isentos de responsabilidade. Agindo assim apenas dificulta-se a busca de solução para os problemas de determinado segmento.

Mãos à obra! A hora é agora!

Mensagem adaptada do texto de mesmo título, publicado em A vida em palavras: situações de Direito, de humor e de indignação, de Adriana Ferreira Fernandes

Vote Adriana Fernandes, 44544, para deputada estadual.

Democracia, política e votos




Estamos em ano de eleição estadual e como já divulguei, estou em campanha para deputada estadual. E já que o assunto é eleição, vale lembrar que são muitas regras para candidatura, campanha, eleição, posse e exercício de mandato. Vamos tentar clarear alguns pontos, o mínimo que se precisa saber para uma campanha limpa e um voto consciente.

As eleições são procedimentos necessários em qualquer sistema democrático. É a principal forma de exercício de poder pelo povo, exercício de cidadania. Como não podemos, cada cidadão, tomar diretamente as decisões para administração da cidade, do estado e do país, nem temos como diretamente fazer as leis, precisamos eleger quem faça isso por nós. Por isso, se diz que vivemos numa democracia representativa. Democracia direta, ou seja, nós mesmos tomarmos as decisões, só é possível em casos de plebiscito (leis), referendo (administração) ou pela apresentação de projetos de lei de iniciativa popular.

Eleição, democracia, poder popular não existem sem política. E política não é esse trem horroroso que pintam por aí. Mesmo numa democracia representativa, o exercício do poder é complicado. Um político detém voto de milhares, em alguns casos, de milhões, de eleitores. Como considerar as diferentes vontades das pessoas, dos grupos, das comunidades? Como fazer prevalecer uma decisão, entre tantas opiniões diferentes? Convencendo, negociando. Isto é política. Isto é fazer política: a negociação para compatibilização dos diferentes interesses. E a política é feita por todos nós, cidadãos eleitores e cidadãos eleitos. Todos participamos do processo de tomada de decisões que levam as autoridades a formularem as ações de Governo, as chamadas políticas públicas, e as ações legislativas, as leis.

Não tenho muita simpatia a comentários do tipo “política é um trem podre”, ou “político nenhum presta”. Quem fala este tipo de coisa, não conhece nada sobre coisa nenhuma. Quem faz comentários assim, não está a fim de querer saber nada, não está a fim de aprender nada. Porque se você voltar os olhos para dentro de sua própria casa, comparar seu lar a uma cidade, vai aprender muito sobre democracia e jogos políticos. Basta isso!

Apenas nas ditaduras, nos sistemas autoritaristas, onde não há democracia, onde a vontade do povo não vale nada, é que se consegue conduzir a vida das pessoas sem fazer política. Afinal, só vale mesmo a opinião de um só, do ditador. Se vamos dar poder a alguém para que decida por nós, precisamos saber bem o que estamos fazendo. Por isso, num sistema democrático, informação é fundamental. Sem informação não há voto consciente. Informação sobre o processo eleitoral, sobre o candidato e sobre o poder que estamos delegando a ele.

Esta delegação de poder é o voto e um candidato somente se elege com votos válidos. Votos brancos (representam conformismo; botão branco na urna) e votos nulos (representam protesto; digitação de um número inexistente) não interferem nas eleições, a não ser por diminuírem o total de votos válidos, elegendo candidatos com poucos votos.

Os chefes do Poder Executivo (Prefeito, Governador, Presidente) e os Senadores são eleitos por maioria de votos: metade do total de votos válidos +1. Os membros do Legislativo (vereadores, deputados estaduais, distritais e federais) são eleitos pelo sistema proporcional. Não vou demonstrar aqui o cálculo que chega à media, usando os quocientes partidários e eleitorais, para determinar como são definidos os candidatos vitoriosos por partido. É muito chato! Mas basta que você saiba que quanto mais votos receber o partido do candidato mais as chances dele se eleger.

Para deputado estadual, no partido que escolhemos, precisaremos, provavelmente, de 30 mil votos. Em alguns partidos, serão necessários até 80 mil votos para eleger um deputado.

E por falar nisso, acompanhe meu raciocínio. Trinta mil votos. É gente demais da conta. E cada um deles, num determinado momento, quer procurar o político em quem votou para reivindicar algo. Mas... Será que político tem que atender os eleitores e acatar cada uma de suas reivindicações? Impossível! Como é possível que alguém consiga lidar com 30 mil eleitores, um por um, com reivindicações oriundas desse tanto de gente. Daí a importância das lideranças, que antigamente a gente chamava de cabo eleitoral.

No próximo texto falaremos mais sobre as lideranças.

Mensagem adaptada do texto de mesmo título, publicado em A vida em palavras: situações de Direito, de humor e de indignação, de Adriana Ferreira Fernandes


Vote Adriana Fernandes, 44544, para deputada estadual.

Campanha – Propaganda eleitoral

Após 16 de agosto é permitido fazer campanha eleitoral. Porém, algumas regras devem ser seguidas. Veja abaixo, o que pode e o que não pode ser feito na propaganda eleitoral.
Fonte: https://www.eleicoes2018.com/o-que-pode-e-nao-pode-na-propaganda-eleitoral/ 

Pré-campanha


 
Campanha eleitoral, por lei, só pode ocorrer após 16 de agosto. Antes disso, podemos fazer a pré-campanha, que é a divulgação do interesse em candidatar e busca de apoio para elaboração de projetos e plataforma política, bem como planejamento da campanha.

Veja no quadro o que pode e o que não pode ser feito até 16 de agosto.
Fonte: https://fernandacaprio.jusbrasil.com.br/artigos/256184292/regras-para-exposicao-de-pre-candidatura

Você conhece seu candidato?

Você conhece seu candidato a Prefeito e seu candidato a Vereador? Normalmente, não. A gente vota por ouvir falar numa determinada pessoa e saber um pouquinho da vida pessoal e/ou profissional dele. Por isso, aliás, a importância das lideranças, como citei no texto de semana passada. É nas lideranças que temos que confiar, pois elas irão negociar com os candidatos e escolher aquele que julgarem mais sensíveis aos interesses da comunidade.

Bom, este ano conheço, e bem!, meu candidato a vereador. Mas isso não é comum! Assim, pensei em passar um questionário para que você eleitor ou você liderança analise o perfil do candidato antes de iniciar com ele qualquer negociação para elegê-lo. Abaixo, as perguntas.

1. Quem é o candidato como pessoa?

2. Para você, o que é fazer política?

3. Por que decidiu entrar na política?

4. Por que você resolveu ser candidato a vereador?

5. Por qual partido disputará as eleições e porquê o escolheu?

5. Qual é o papel do vereador?

6. Como será sua atuação, se eleito, na Câmara?


Encaminhe este questionário a seu candidato ou à liderança de seu bairro. Não é difícil analisar as respostas. Eu sei que você vai dizer que “papel aceita qualquer coisa”. Concordo, mas é fácil identificar frases clichês, respostas padrão, textos sem conteúdo, respostas vazias, palavras difíceis, discurso muito pomposo. Isso por si só já seria suficiente para descartarmos o candidato. Quem trabalha para o povo, quem gosta de lidar com pessoas, tem que saber se expressar de maneira simples e sabe a importância de se fazer compreender por qualquer um.

É isso! Não se omita votando em branco ou anulando seu voto. Tenha um pouquinho de trabalho e escolha bem seu candidato. Se não quiser fazer isso, procure uma liderança e dê seu voto ao candidato que ela indicar. Nós temos muitas maneiras de colaborar com a mudança que queremos e invalidar seu voto não é uma alternativa “decente”.

Muita luz para todos nós!

Lideranças

Então, há algumas semanas comecei a falar sobre lideranças. Dizia eu:
“Acompanhe meu raciocínio. Trinta e nove mil votos. É gente demais da conta. E você é um deles. E por causa disso, num determinado momento precisa procurar o político e reivindicar algo. Mas... Será que político tem que atender os eleitores e acatar cada uma de suas reivindicações. Se você respondeu “sim”, largue agora esse texto e vá comer algo! Só pode ser fome, essa falta de raciocínio! Não acredito que você pense que alguém consiga lidar com 39 mil eleitores, um por um; com reivindicações oriundas desse tanto de gente. Já ouviu falar em lideranças? Antigamente a gente chamava de cabo eleitoral. Mas não é um termo justo. São na verdade, lideranças.”

Pois é, da mesma forma que um candidato não consegue expor seu plano de trabalho para milhares de pessoas, também não conseguirá atende-las, uma a uma, depois de eleito. Por isso, as lideranças possuem papel fundamento na política. São pessoas que se destacam por possuírem mais disponibilidade para ouvir seus pares, seus amigos, seus vizinhos, seus colegas de profissão. É alguém que se sobressai por possuir mais facilidade para buscar solução para os problemas de um determinado grupo de pessoas.

As lideranças conhecem os problemas daquela comunidade e conhecem os caminhos para solucioná-los. E ninguém melhor que o líder para cuidar daqueles casos que possuem particularidades. Ele te conhece, conhece o contexto daquela comunidade, daquela profissão, daquilo que une aquele grupo. Ele sabe quando pode cuidar das reinvindicações de modo generalizado e quando, quem, e porque precisa dar um atendimento diferenciado, a alguém.

No meu trabalho, temos uma liderança sindical. Alguém que é nosso elo com o sindicato. No meu prédio, nosso síndico é uma liderança na vizinhança e nos mantém informados sobre o andamento de nossas reivindicações junto à Prefeitura, sobre as ações da Polícia Militar em nosso bairro e tudo que diz respeito à nossa região.

Precisamos aprender que unidos somos mais. Ainda que sozinho cada indivíduo tenha seu valor, quando aliado a quem está num mesmo contexto sua força mais que dobra. E falando sobre eleições, maior a importância de um líder. O político tem mais compromisso com uma liderança, porque ele representa a vontade da maioria. Um eleitor procurar um político e fazer uma reivindicação para sua rua é uma coisa. Uma liderança, um representante de dezenas ou centenas de pessoas, é outra coisa. Porque se apenas uma pessoa pede, pode ser que o resto dos moradores priorize outra coisa. E quando se trata de liderança, significa um consenso entre o grupo. E daí se conclui que mobilizados somos mais. Por isso, a importância de associações de bairro, de representantes sindicais, de representantes em conselhos. Mas escolha de representante implica em abrir mão de tanta coisa, mas tanta coisa, em função do bem comum, que ninguém está disposto. É puro exercício de democracia. Mas como exercer o poder democrático (poder do povo pelo povo), quando nunca enxergamos além de nosso umbigo? Quando torcemos para tudo desmoronar, apenas para provarmos que o nosso candidato faria melhor que aquele que você elegeu?

Democracia é o exercício do poder pelo povo. E exercício de poder popular é todos nos unirmos em prol de um bem comum. E bem comum é aquilo que a maioria decidiu como tal. Assim, hoje, eu fui vencida, a maioria da vizinhança, na reunião da associação do bairro, decidiu pela obra X e não pela obra Y, que eu defendia. Ok! Tenho por obrigação apoiar esta decisão e acatar todas as atitudes que a liderança eleita tomar para pleitear a obrar nos órgãos públicos. Amanhã será o inverso, outros vencidos me ajudarão na obra que agora consegui apresentar como prioridade. É assim, qualquer outra coisa que não seja apoio à decisão da maioria é sabotagem. E sabotagem é indigno! É anti-democrático! É ditatorial!

Essa noção de democracia é fundamental para compreendermos a importância da necessidade do estabelecimento de confiança no representante eleito/escolhido.

E com tudo isso em mente, nestes tempos de eleições, procure seu representante e questione quem é o candidato da sua região, do seu bairro, quais reivindicações foram levadas a ele e que resposta ele deu sobre elas. Não é você quem tem que “correr atrás” de compromisso de candidato, é a liderança local. É a ela que você deve pressionar e é ela que você deve ouvir. E se não se sentir representado, promova nova escolha. Democracia é isso.

Sem mobilização não há força! Uma andorinha só faz verão? A música diz que não! E a realidade comprova isso.

Mas a preguiça não deixa, né, gente?! O sofá é sempre mais gostoso que reuniões de associação de bairro. Tudo bem, direito seu. Mas, por favor, vá na reunião de fundação da entidade. E se não quiser participar mais, ao menos tenha a dignidade de apoiar as decisões que forem tomadas e confiar nas lideranças eleitas, sejam elas quais forem. Questão de honradez! Para questionar e criticar tem que participar de todas as reuniões. O correto seria colaborar, mas se não atrapalhar já tá bão demais da conta.

Estamos em ano de eleições. Mobilize-se! Procure as lideranças em sua comunidade e informe-se sobre os candidatos indicados e a proposta deles para os problemas locais.  Não votar, votar em branco ou anular seu voto e disseminar este tipo de atitude pode deixar sua região sem vereador sensível aos problemas do lugar. Agindo assim você não acaba com os problemas da má política. Agindo assim você apenas dificulta a busca de solução para os problemas de sua localidade.

Muita luz para todos nós!

Prefeito e Vereador

Continuando o papo (chatinho, rs) sobre as eleições municipais, vamos falar hoje dos agentes dela, especificamente, Prefeito e Vereador. Como todos sabem, Prefeito é o Chefe do Poder Executivo e o Vereador o membro da Câmara Municipal.

A Câmara Municipal, local onde são discutidas e formuladas leis locais, não está subordinada à Prefeitura, nem ao Prefeito. É um poder (Poder Legislativo) independente. Apesar disso, sua receita, isto é, o dinheiro para manutenção de sua estrutura e funcionários vem do Orçamento do Município.

Bom, além de fazer as leis (função legislativa), a Câmara possui um papel fiscalizador das finanças, do orçamento, do patrimônio e da contabilidade da cidade. Considerando que a Câmara também pode dar sugestões à atuação do Executivo Municipal, diz-se que ela tem ainda uma função de assessoramento. Ela também julga as contas do Prefeito e infrações administrativas que ele venha a cometer. Todas estas atribuições são desempenhadas pelos Vereadores. São eles que exercem, executam as funções legislativa, fiscalizadora, de assessoramento e de julgamento de contas.

A Câmara possui, excepcionalmente, uma função investigativa. Por meio de uma comissão parlamentar de inquérito, as conhecidas CPIs, ela investiga fatos da vida política, econômica e social da comunidade em defesa da coletividade, para comprovação de irregularidades ou esclarecimentos. Mas estamos falando de um órgão legislativo. Judiciário é outro Poder. Assim, caso seja comprovado algum ilícito o relatório conclusivo da comissão será encaminhado às autoridades judiciárias competentes para julgamento do caso e punição. CPI não pune ninguém!

Imagine a quantidade assuntos que um vereador deve aprender para realizar todas as funções relacionadas à vereança (nome do exercício do cargo de vereador). Por isso, ele tem assessores, técnicos, um corpo especializado à sua disposição para orientá-lo sobre tudo que diz respeito à municipalidade e à legislação. Ora, são eleitas pessoas de todo nível social e econômico. Não dá para querer que eles já cheguem sabendo tudo. E aqui não importa a escolaridade do sujeito (até onde ele estudou), mas sim sua capacidade intelectual. Só não pode ser analfabeto, isto a lei não admite. Junto com sua capacidade intelectual, isto é, além de conseguir compreender com clareza o que lê, ouve e observa, o vereador precisa ser flexível, saber negociar, barganhar. Isto é fazer política. Precisa conhecer a região, os problemas e as lideranças locais. Por isso, a obrigatoriedade de residir no município. Como fazer leis justas para um lugar em que você não vivencia sua realidade?

A maioria das leis locais nasce de um projeto da própria Câmara, apresentado por um vereador, por meio de um projeto de lei. Porém, algumas leis tratam de assuntos, cujo projeto de lei apenas o Prefeito pode elaborar. Estas nascem no Gabinete do Prefeito. Porém, nos dois casos, e ainda naqueles projetos de lei de iniciativa popular, a proposta irá tramitar nas comissões temáticas da Câmara (análise de legalidade, necessidade, viabilidade financeira, etc.) e irá a plenário para discussão e votação. Só aí poderá ser encaminhada ao Prefeito para ser sancionada (publicada para começar a surtir efeitos) e se tornar lei. Se não aprovada, o projeto será arquivado e não poderá ser desarquivado naquela mesma legislatura (período de duração do mandato do vereador = 4 anos). Se o Prefeito vetar a lei inteira ou alguns artigos, o texto volta para a Câmara para nova discussão em plenário e votação. Se acatado o veto integral, a proposta é arquivada. Se derrubado o veto integral e o Prefeito insistir em não sancionar a lei, o Presidente da Câmara a promulga (publica e faz valer). Se aprovado o veto parcial, volta para o Prefeito sancionar. Se derrubados os vetos parciais e o Prefeito insistir em não sancionar a lei, o Presidente da Câmara a promulga (publica e faz valer).

O vereador não pode apresentar projeto de lei sobre qualquer assunto. É preciso consultar a Lei Orgânica, que é a constituição do Município, para verificar os assuntos de competência da Câmara. Sempre são assuntos de interesse local, inicialmente indicados na Constituição da República, ou ao menos não proibidos por ela. É tudo que diga respeito às ruas da cidade, por exemplo, mas não em relação às estradas intermunicipais. E alguns assuntos locais só o prefeito pode transformar em projeto, como é o caso de remuneração de servidores, despesas da Prefeitura, criação e extinção de órgãos municipais.

Qualquer eleitor, outro vereador ou o Presidente da Câmara podem denunciar um vereador sobre utilização do mandato para a prática de atos de corrupção ou de improbidade administrativa, fixação de residência fora do Município, conduta incompatível com a dignidade da Câmara ou falta de com decoro na sua conduta pública. A Câmara apura a denúncia e julga. Se procedente a denúncia, o mandato do vereador será cassado.

Bom, sobre o Prefeito, como Chefe do Executivo, é ele quem administra a cidade. É quem planeja e coloca em prática tudo que diz respeito ao município. Ele que irá cumprir as leis aprovadas na Câmara. Ele que irá adequar as necessidades locais à receita disponível (orçamento), buscando realizar as ações essenciais àquela região. Também tem um corpo de profissionais que o auxiliam nos mais diversos assuntos. Assim como os vereadores, o Prefeito precisa ser flexível, saber negociar, barganhar, conhecer a região, os problemas e as lideranças locais.

Tentando simplificar o tema, pode-se dizer que os assuntos de interesse local, do qual devem se ocupar o Vereador e Prefeito, são aqueles que dizem respeito às vias públicas (conservação, limpeza e iluminação), transporte público, saúde (ambulâncias e serviços), escolas de nível fundamental, uso e ocupação do solo, dentre muitos outros (moradia, combate a pobreza, etc). O Prefeito ainda tem a obrigação de buscar recursos, isto é, criar postos de empregos e fontes de renda (por meio de incentivo à instalação de empresas ou ao desenvolvimento de atividades turísticas, por exemplo), para obter verbas (impostos) que o ajudem a melhorar as condições de vida da população e financiamento de obras.

Vixi! O texto ficou grandimais! Semana que vem continuo o assunto. Inté!

Fonte: Site da Câmara Municipal de Campo Largo/PR (http://www.cmcampolargo.pr.gov.br/historia/informacoes-uteis/consulte-aqui/).


Muita luz para todos nós!

Democracia, política e votos

Este ano o país tem eleição municipal, isto é, serão eleitos Prefeitos e Vereadores para os municípios brasileiros. São muitas regras para candidatura, campanha, eleição, posse e exercício de mandato. Vou tentar clarear alguns pontos. O mínimo que se precisa saber para um voto consciente.

- Driana, ma esse trem é muito chato, essas cunversa de política dá canseira dimais.

Também acho (rsrsrss), mas considero necessário para não sermos enganados. Talvez nem seja necessário saber tudo isso para dar o voto a um excelente candidato. Mas é muito importante para não sermos enganados pelos maus candidatos. Talvez a gente não consiga perceber uma dissimulação em alguém que pretende se eleger. Porém, quando ele disser uma bobagem, algo vai te incomodar, porque um dia você leu um pouco sobre democracia, política, voto... Talvez você não consiga nem identificar qual bobagem ele disse, mas vai ficar com pé atrás.

Informação nunca é demais!

As eleições são procedimentos necessários em qualquer sistema democrático. É a principal forma de exercício de poder pelo povo, exercício de cidadania. Como não podemos, cada cidadão, tomar diretamente as decisões para administração da cidade, do estado e do país, nem temos como diretamente fazer as leis, precisamos eleger quem faça isso por nós. Por isso, se diz que vivemos numa democracia representativa. Democracia direta, ou seja, nós mesmos tomarmos as decisões, só é possível em casos de plebiscito (leis), referendo (administração) ou pela apresentação de projetos de lei de iniciativa popular.

Eleição, democracia, poder popular não existem sem política. E política não é esse trem horroroso que pintam por aí. Mesmo numa democracia representativa, o exercício do poder é complicado. Um político detém voto de milhares, em alguns casos, de milhões, de eleitores. Como considerar as diferentes vontades das pessoas, dos grupos, das comunidades? Como fazer prevalecer uma decisão, entre tantas opiniões diferentes? Convencendo, negociando. Isto é política. Isto é fazer política: a negociação para compatibilização dos diferentes interesses. E a política é feita por todos nós, cidadãos eleitores e cidadãos eleitos. Ou seja, todos participamos do processo de tomada de decisões que levam as autoridades a formularem as ações de Governo, as chamadas políticas públicas, e as ações legislativas, as leis.

Sinceramente, nunca respondo comentário do tipo “política é um trem podre”. Ou “político nenhum presta”. Quem fala este tipo de coisa, não conhece nada sobre coisa nenhuma. Quem faz comentários assim, não tá a fim de querer saber nada, não ta a fim de aprender nada. Porque se você voltar os olhos para dentro de sua própria casa, comparar seu lar a uma cidade, vai aprender muito sobre democracia e jogos políticos. Basta isso!

Apenas nas ditaduras, nos sistemas autoritaristas, onde não há democracia, onde a vontade do povo não vale nada, é que se consegue conduzir a vida das pessoas sem fazer política. Afinal, só vale mesmo a opinião de um só, do ditador. Se vamos dar poder a alguém para que decida por nós, precisamos saber bem o que estamos fazendo. Por isso, num sistema democrático, informação é fundamental. Sem informação não há voto consciente. Informação sobre o processo eleitoral, sobre o candidato e sobre o poder que estamos delegando a ele.

Esta delegação de poder é o voto e um candidato somente se elege com votos válidos. Votos brancos (representam conformismo; botão branco na urna) e votos nulos (representam protesto; digitação de um número inexistente) não interferem nas eleições, a não ser por diminuírem o total de votos válidos, elegendo candidatos com poucos votos.

Os chefes do Poder Executivo (Prefeito, Governador, Presidente) e os Senadores são eleitos por maioria de votos: metade do total de votos válidos +1. Os membros do Legislativo (vereadores, deputados estaduais, distritais e federais) são eleitos pelo sistema proporcional. Não vou demonstrar aqui o cálculo que chega à media, usando os quocientes partidários e eleitorais, para determinar como são definidos os candidatos vitoriosos por partido. É muito chato! Mas basta que você saiba, que quanto mais votos receber o partido do candidato, mais as chances dele se eleger. O candidato pode receber um total de votos maior que muitos outros, mas se seu partido tiver ao todo poucos votos, o candidato não se elegerá. Temos casos de determinada cidade em que um candidato a deputado estadual obteve 41 mil votos. Outro candidato, de outro partido, obteve 39 mil votos. Este foi eleito, o primeiro, não. Tudo em razão da diferença de votos obtidos entre seus partidos.

E por falar nisso, acompanhe meu raciocínio. Trinta e nove mil votos. É gente demais da conta. E você é um deles. E por causa disso, num determinado momento precisa procurar o político e reivindicar algo. Mas... Será que político tem que atender os eleitores e acatar cada uma de suas reivindicações. Se você respondeu “sim”, largue agora esse texto e vá comer algo! Só pode ser fome, essa falta de raciocínio! Não acredito que você pense que alguém consiga lidar com 39 mil eleitores, um por um; com reivindicações oriundas desse tanto de gente. Já ouviu falar em lideranças? Antigamente a gente chamava de cabo eleitoral. Mas não é um termo justo. São na verdade, lideranças.

Mas outro dia falarei sobre isso.

Semana que vem escreverei sobre prefeito e vereador.


Muita luz para todos nós!