Há algumas semanas, fui buscar orientação com um político experiente. Minha principal dúvida era como fazer campanha sem dinheiro. Queria que ele me desse ideias sobre como atingir o Interior do Estado sem precisar ir com frequência para engajar eleitores.
Já fui chegando na reunião e dizendo:
- Eu não tenho um tostão para investir em campanha, então como conseguir votos no Interior, já que não poderei viajar com a frequência necessária? Será que é possível?
Ele:
- Olha, Adriana, é possível gastar pouco... Eu consegui 30 mil votos nas últimas eleições estaduais gastando muito pouco... Eu só investi quinhentos mil reais na campanha...
Entrei em choque rsrsrs... Não consegui esboçar reação. Percebendo isso ele acrescentou:
- 500 mil não é nada... Outros candidatos gastaram 2 milhões, 3 milhões...
Confesso que o primeiro pensamento foi "impossível me candidatar, não vai dar certo". Porém, no desenrolar da conversa ele me motivou bastante sobre meu perfil, sobre minhas bandeiras e outras coisas. E decidi que não vou desistir por causa de grana. Vou calçar a cara e pedir dinheiro pros outros... Fazer o quê?! rs
A princípio, procurei apoiadores voluntários. Consegui vários, mas não o suficiente para alcançar as principais regiões do Estado. Na verdade, minha equipe de apoiadores está concentrada na Região Metropolitana e apenas um deles atua no Norte de Minas.
Precisarei então pagar pessoas para divulgarem meu material de campanha por toda Minas Gerais. Além disso, preciso visitar as cidades, ou seja, gastos com passagem e hospedagem.
Enfim, de fato, preciso de grana. Preciso de muita grana.
A estimativa é de que seja preciso um mínimo de 40 mil votos para ser eleita. Não conseguirei isso divulgando minha campanha apenas nas redes sociais e em Belo Horizonte. Tenho que viajar e tenho que contratar uma equipe!
Para se ter ideia, estou planejando uma estratégia para alcançar formadores de opinião no Interior, por meio de correspondência. A princípio, são 3.700 cartas, com o selo a R$1,70. Só aí são cerca de 6 mil reais que não tenho e não sei de onde tirar rsrsrs E isso é apenas um dos gastos.
Outra estratégia é visitar pelo menos 100 cidades dos 853 municípios mineiros. A passagem mais barata, ida e volta, custa 50 reais e a mais cara fica em 300. E uma pensão barata não custa menos que 60 a 100 reais por noite, conforme o local.
Realmente, não sei onde eu estava com a cabeça ao crer que poderia fazer uma campanha sem grana.
E é aí que você entra rsrsrs...
O sucesso da minha campanha depende, entre outros, da sua colaboração financeira e para isso criei uma vaquinha online, tudo nos termos permitidos pelo Tribunal Superior Eleitoral - TSE.
Uma novidade nas eleições 2018 é a proibição de financiamento de campanha por pessoas jurídicas (empresas) e a possibilidade da realização de crowfunding (termo consagrado para financiamento coletivo). E, para tanto, o TSE já habilitou empresas que podem realizar a coleta de doações.
As regras são simples:
1) só pessoa física pode doar;
2) o dinheiro somente será disponibilizado em 16 de agosto, início da campanha eleitoral;
3) se a candidatura não for aceita, os valores serão devolvidos a todos que doaram.
Sobre os valores a serem doados:
A) cada pessoa pode doar no máximo até 10% de seu rendimento anual recebido em 2017;
B) a doação não pode ultrapassar 10 salários mínimos por pessoa;
C) o candidato a deputado estadual não pode gastar mais que 1 milhão de reais.
Eu preciso da sua doação, seja ela de 2 reais, 5 reais ou 10 salários mínimos! Pode ser doação única, doação mensal, pode ser com qualquer frequência, mas, pelamordedeus, doe! E divulgue este pedido entre seus contatos.
Acesse minha vaquinha online e contribua. Obrigada!
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Anatocismo
A jurisprudência brasileira veda o anatocismo. Usura é admitida, anatocismo, não. Usura é a não limitação dos juros. As instituições financeiras não estão obrigadas a limitar as taxas ao dispositivo legal que determina 12% ao ano. Mas elas não podem aplicar juros sobre juros, que é o anatocismo.
Em virtude disso, todos aqueles que ingressam com ações para revisão de contratos de financimento para correção dos valores, têm obtido ganho de causa. Em caso de financiamento de motos e automóveis, os valores cobrados indevidamente chegam a corresponder a 40% do total financiado. E o juiz pode determinar a devolução do valor pago a maior, seu abatimento em número de prestações ou redução no valor das prestações a pagar. Tudo tem que ser visto caso a caso.
Também é possível rever o anatocismo aplicado nas dívidas relativas a cartão de crédito e cheque especial.
Procure um advogado e leve seu contrato de financiamento (para que se faça os cálculos e identifique se você tem direito à revisão, é preciso informar o valor total financiado, o total de meses, a taxa mensal de juros e o valor da prestação).
Boa sorte!
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